Críticas

Notas sobre Christo e Jeanne-Claude

Faleceu no dia 31 de maio de 2020 o artista búlgaro Christo (1935-2020), um dos nomes mais representativos da expansão da arte para além das galerias e sua fusão com a paisagem e com a arquitetura – aquilo que a crítica Rosalind Krauss chama de “campo ampliado”. Christo e sua parceira Jeanne-Claude (falecida em 2009) contribuíram para o alargamento dos limites da arte e a incorporação do lugar como parte da obra, tendência em voga nos anos 1960. Seus projetos são caracterizados pelo gigantismo. O planejamento e realização das intervenções costumava demorar anos, mas elas só ficavam à vista do público durante alguns dias, em razão de sua natureza efêmera. A dupla “embrulhou” com tecidos edifícios, ilhas e outros ambientes, resignificando esses lugares. Com essa estratégia de ocultamento, chamam atenção para aspectos da paisagem que passam despercebidos, ou seja, o ocultamento é utilizado para revelar, pois na medida em que aqueles elementos são “embrulhados”, nos damos conta de sua presença. Christo começou embalando pequenos objetos cotidianos, ainda na década de 1950, como latas e garrafas, explorando pouco a pouco itens maiores, como motocicletas e poltronas, até chegar nas grandes intervenções em parceria com Jeanne-Claude a partir de 1961. O “rito” da embalagem está diretamente ligado ao desejo, ao fetiche, à sociedade do consumo e do espetáculo, temas debatidos na filosofia e na arte quando Christo realizou seus primeiros trabalhos. Os projetos de Christo e Jeanne-Claude, contudo, não podem ser comprados, adquiridos, possuídos, a não ser por meio de esboços, registros e pequenos protótipos. Desta maneira, a dupla desafiava o sistema comercial da arte, que hoje já se moldou às transformações ocasionadas pela arte conceitual, land art, performance, minimalismo e intervenção urbana.

2 respostas »

  1. Oi! Me deparei com o blog em uma pesquisa para minha aula de História da arte e gostei da sua escrita. Foi sucinto mas me deu várias outras informações a respeito de Christo (só tinha a referencia da Running Fence). No fim fui ler a descrição do por que Nuvem e me deu mais uma perspectiva em relação ao que é arte (pergunta que o professor fez na primeira aula da matéria, inclusive). Bonita a sua descrição e consequentemente adorei e entendi o nome, rs.
    Legal o trabalho que faz!
    Abraço

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