O artigo discute o estatuto da documentação do efêmero na arte contemporânea, e em particular na intervenção urbana, considerando mais do que o caráter indicial da imagem documental, mas seu valor como ícone. Trabalhos artísticos efêmeros realizados na ausência de um público – devido a seu caráter clandestino ou à sua localização – têm sua visibilidade mediada pelas imagens técnicas, diluindo, portanto, as fronteiras entre obra e documentação. A imagem, operando como presença de uma ausência, atua no elo entre uma experiência perdida e o público, uma economia que culmina em ganhos e perdas.

Artigo publicado na Porto Arte, vol. 24, nº 41, jul-dez-2019

Uma resposta a “Documentação e iconização do efêmero: arte contemporânea e intervenção urbana”

  1. […] O que o pesquisador norte-americano Philip Auslander (2019) chama de performatividade do registro é quando o ato de documentar um evento é o que constitui o trabalho artístico como tal. A performatividade da documentação ocorre quando assumimos que as imagens não simplesmente descrevem algo que ocorreu; elas produzem um evento artístico. Essa condição torna-se mais clara em intervenções cuja visibilidade é mediada pela imagem, como a de Ducha, que teve curta duração no espaço público. O que potencializou o valor de exposição do Cristo Vermelho foi a imagem manipulada pelo artista e, sobretudo, sua circulação na imprensa. A imagem não possui apenas caráter de índice, de prova, mas configura-se como um novo objeto estético. A performatividade do registro da intervenção urbana já foi objeto de discussão em um artigo publicado anteriormente, intitulado Documentação e iconização do efêmero: arte contemporânea e intervenção urbana (leia aqui). […]

    Curtir

Deixe um comentário

Tendência